(Source: brainsinlove)
(Source: brainsinlove)
Ateio fogo ao coração, à rocha, que desfalece.
À noite, desabrocha, pela morte que se tece.
E que se rebente, que se vá.
Um chamado coração.
No rio.
Pela correnteza afora, num pedaço de lembrança.
Num pedaço de memória.
Se vai.
Palpita devagar, em meio à selvageria.
Como se não bastasse fenecer,
Ousa acreditar que é pedra.
Quem diria: nasce apático
E morre apático.
(Source: deixarde)
Nunca entendi qual o propósito de um caixão, mas agora que me vejo dentro de um, entendo por que nunca entendi. Não há nada para entender. É como adormecer. É como se tivessem me dopado e me colocado dentro de meu mais silencioso sonho. É mudo, é quente e não é confortável, simplesmente porque eu mesma não sou confortável. Não cabem pensamentos aqui, nem lágrimas, nem arrependimento. Só minha respiração e, uma vez ou outra, meu ofegar. Não tenho horizontes, muito menos espaço para meu olhar se espalhar, fazendo, assim, com que ele derreta por meu colo. Não há como me perder aqui dentro, também não há espaço para isso. Estar aqui é como viver a vida sem exercer nenhuma função. Mas só por um mero instante. Afinal, somente estou. Não vivo nele.
(Source: youjustinspiredme, via bluefear)
Ela acordou ansiosa hoje
Talvez por tê-lo sentido ontem
E querer isso de novo
Amanheceu noite cinza
Ela se levantou da neve
As taças de vinho limpas no chão
As fotos empilhadas na mesa
O pão intocado
Ela acordou cedo hoje
Quis se sentar no sofá
E olhar o relógio dele no tapete
As roupas que não estavam mais ali
Mas deveriam
Amanheceu noite cinza
E ele já havia partido
A fechadura sem chave
O chuveiro respingando
A cama arrumada
Ela acordou hoje
Talvez por tê-lo sentido ontem
Ou por pensar que sim
Ela acordou confusa hoje
Porque amanheceu noite cinza
E ele não estava ali
Maio, 2009
Sou tua, cravo?
Sou eu, a rosa.
Num jardim de vozes, gritando em prantos.
Para florescer sozinha, murchando até a raiz.
Petrificada ao vento, sem nenhuma pétala para perfumar tua audácia.
Se estou só, grito, se ouço gritos, me calo.
Mas minha vivência não é mais negra que tua áurea.
Minha petulância não é demasiada insuportável quanto tua autoestima.
E podem gritar ao meu redor, meu bom cravo,
Podem até me ensurdecer.
Mas quando tu chegas,
Os gritos de horror são para ti.